Viva Rio repudia intimação do professor Carlini por apologia às drogas

 

O Viva Rio repudia a atitude da Polícia de São Paulo de intimar o professor Elisaldo Carlini, de 88 anos, sob a alegação de apologia ao uso de drogas, como revelou matéria do O Globo. O tratamento dado a Carlini, especialista em psicofarmacologia que estuda drogas há mais de 60 anos, representa um atraso imenso na maneira de abordar uma questão complexa, histórica e universal e um ataque contra o trabalho sério de cientistas e pesquisadores de todo Brasil.

“A intimação do professor Elisaldo Carlini é um absurdo ridículo, um sinal do obscurantismo que prevalece no Brasil quanto às drogas psicotrópicas. O governador Geraldo Alckmin deve uma explicação à comunidade científica e à população em geral”, afirma Rubem Cesar Fernandes, diretor executivo do Viva Rio.

O Viva Rio aborda o tema com profundidade desde 2008, quando participou da criação da Comissão Latino Americana sobre Drogas e Democracia (CBDD), que tinha como objetivos principais abrir o debate público sobre drogas no continente, avaliar as consequências da “guerra contra as drogas” e buscar políticas mais eficientes, humanas, seguras e favoráveis à consolidação das instituições democráticas na região.

Desde 2013 a Comissão acompanha e atua junto ao Congresso Nacional do Brasil na discussão de propostas referentes à mudança na política de drogas, para que o problema vire uma questão de saúde e não de segurança pública. Atualmente, o exemplo que a organização busca seguir é o implantado por Portugal, com foco em tratar usuários como pacientes, e não criminosos.

O presidente da CBDD, Paulo Gadelha, também criticou a medida. “O professor Carlini é respeitado por toda a comunidade científica, nacional e internacional, pela excelência do seu trabalho e pelos valores éticos que sempre demonstrou ao longo da profissão. A intimação do professor para depor em função dos seus trabalhos sobre drogas revela uma falta de clareza e um cerceamento da liberdade de pesquisa e de opinião em nosso país. Toda a comunidade científica e aqueles que buscam um debate construtivo sobre a questão das drogas devem repudiar veementemente essa barbárie”, disse.

 

 

 

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