Viva Rio lança manuais com Tecnologias Sociais

O Viva Rio realizou nesta quinta-feira (08) um seminário para lançar a coletânea com sete Tecnologias Sociais (TS RIO), manuais com soluções criativas para a inclusão social. De acordo com o diretor executivo da instituição, Rubem César Fernandes, a gênese do produto foi a experiência do Viva Rio desenvolvida no Haiti.

“Percebemos que era preciso sistematizar a experiência no Haiti, que poderia se perder”, explicou. “A Coleção é uma maneira de pensar o futuro, disponibilizar um produto capaz de multiplicar nossa atuação. O TS Rio será um novo pedaço da instituição”, acredita.

Em projeção de power point, Carlos Roberto Fernandes, gerente de Gestão de Projetos do Viva Rio, informou que, entre outras características, o TS RIO é inovador, replicável e sustentável, “não se trata de um produto final, mas de algo em evolução”.

Realizado a partir da parceria com a Corporacion Andina de Fomento (CAF), entre os temas reunidos no TS Rio está a Polícia Pacificadora, estudada a partir de entrevistas com especialistas e pesquisas em livros e artigos. A atual crise do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP)s enfrentada pelo Estado do Rio de Janeiro pode ser ideal para este tipo de lançamento, avalia Carlos Roberto.

“O estudo começou em 2013, quando constatamos que as UPPs seguiam uma metodologia empírica, não sistematizada. A ideia foi envolver nossa equipe de segurança na sistematização do que passamos a chamar de polícia de aproximação, que incluiu as experiências de Salvador, na Bahia e do Panamá”, exemplificou.

Conforme Gilbert Rodrigues, da Segurança Humana do Viva Rio, o projeto das UPPs nunca foi sistematizado porque “só se conhece as comunidades depois de entrar nelas. Existem três tipos no Rio: as em que o tráfico passa de pai para filho, mais difíceis para a polícia entrar; as com 90% dos moradores de outros estados, que não se preocupam nem com a polícia ou com o tráfico e as sem origem determinada, que sofrem sucessivas invasões de facções, abraçam a polícia e não conseguem viver sem ela”, contabiliza.

A sistematização realizada pelos manuais, conforme Gilbert, é impossível de ser feita pela polícia porque ela não para de apagar incêndios, “vive num rolo compressor”.

Conteúdo eclético

A experiência desenvolvida pelo Viva Rio com biodigestores – ferramenta capaz de solucionar simultaneamente problemas de saneamento básico e energia -, no Haiti, foi explicada em videoconferência por Valmir Fachini, coordenador do projeto do Viva Rio no país caribenho. Ao falar do atendimento a usuários de drogas em situação de alta vulnerabilidade, Marília Rocha, coordenadora do Núcleo de Drogas da instituição, frisou que o sucesso do tratamento não é o fim do uso de drogas, “mas o acolhimento. Quem faz uso de forma abusiva tem uma droga de vida e se não mudarmos os valores vamos produzir muito sofrimento e mais uso abusivo”, frisou. Já ao falar de Articulação Comunitária, Osmar Dias, coordenador do Projeto Socioambiental e articulador social, lembrou que a “articulação é o DNA do Viva Rio. Foi isto que permitiu a implantação dos projetos de saúde a partir de 2009, hoje fundamentais para a instituição”.

Alexandre Fernandes, coordenador da sede regional de Macaé, discorreu sobre a Emancipação através da Educação, outra área de destaque no Viva Rio; Roberto Mourão, sobre Turismo de Base Comunitária e José Henrique Penido, da Comlurb, surpreendeu os participantes com as informações sobre a abrangência de atuação da empresa pública, que dispõe de 22 mil empregados e conta com um orçamento anual de R$ 22 bilhões.

Visão panorâmica   

No site www.tsrio.org.br, lançado por Carlos Roberto e Joana Medina no final do evento, é possível acompanhar o projeto, que inclui uma visão panorâmica de cada uma das sete áreas abordadas – de Articulação Comunitária à Polícia Pacificadora – e ainda os riscos que elas oferecem. “Como riscos podem ocorrer, oferecemos algumas das melhores estratégias para mitigá-los”, explica Carlos Roberto.

O objetivo dos manuais, que inicialmente serão apresentados em PDFs virtuais e em livretos a partir de 30 de dezembro – distribuídos entre instituições parceiras e governamentais -, é fazer uma ponte entre o Viva Rio e o poder público para aprimorar e sistematizar as tecnologias sociais que contribuam para a adoção de novas políticas públicas. “Não se trata de um material acadêmico, mas de algo que agrega conhecimento para aprimorar as tecnologias sociais”, completa Carlos Roberto.

Se algum estado da federação se interessar em colocar em prática os manuais, “é só vir aqui buscar conosco a informação”, avisa o gerente. Está prevista a ampliação dos alvos de estudo e o próximo projeto de tecnologias sociais pode envolver as trilhas urbanas existentes no Rio de Janeiro, hoje pessimamente exploradas.

(Texto: Celina Côrtes| Fotos: Amaury Alves)

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