Viva Oportunidade chega à Rocinha

A cuidadora de idosos Dalva Francisca da Silva, 51 anos, saiu emocionada do lançamento do aplicativo Viva Oportunidade, na manhã desta quarta-feira (07), na Rocinha, zona Sul do Rio. Ela tinha perdido seu emprego na semana anterior e passou a ver uma luz no fim do túnel: “Gostei muito, vou pedir a minha sobrinha para entrar. Foi uma porta aberta!”, comemorou.

Dalva Francisca da Silva se emocionou com a possibilidade de voltar a trabalhar|Foto: Amary Alves

O público que participou do encontro, na Biblioteca Parque da Rocinha, era de moradores desempregados da comunidade. Com a expectativa de atingir 10 mil cadastros até dezembro, o aplicativo, segundo o coordenador regional do Viva Rio Macaé, Alexandre Fernandes, já tem mais de mil inscritos no Rio. Foi lançado em 14 de março, em caravanas no Complexo do Alemão e em Guadalupe, na zona Norte.

O público da Rocinha era formado por uma maioria de desempregados|Foto: Amaury Alves

Os cuidadores de idosos, como Dalva, e os fotógrafos representam o maior número de profissionais cadastrados. A inscrição de um fotógrafo como cliente chamou a atenção de Alexandre, que entrou em contato com o profissional. Descobriu que ele havia se cadastrado por engano como cliente, engano que acabou trazendo esclarecimentos sobre a ferramenta: “No mesmo dia da inscrição ele recebeu 27 ligações e dezenas de e-mais. Constatou que o aplicativo funciona de fato”, festejou.

Um erro permitiu a Alexandre Fernandes avaliar resultados do aplicativo|Foto: Amaury Alves

Durante o encontro, Alexandre projetou informações sobre o aplicativo nesta fase de cadastramento: o primeiro passo é o lançamento – gratuito e de fácil uso – de dados pessoais e profissionais. Enquanto a ficha com os dados pessoais é sempre a mesma, a profissional pode ser enriquecida por cada atividade desenvolvida pela pessoa. Na plateia, por exemplo, havia um videomaker que também atua com turismo.

Na segunda etapa é feita a inclusão de foto, currículos, certificados e diplomas, que agregam valor ao profissional. Na terceira, o inscrito responde, negocia e faz contato direto com o cliente pelo aplicativo e, na quarta, acrescenta avaliações de trabalhos anteriores. Detalhe importante é que o profissional só será procurado dentro da área de abrangência em que presta serviço, registrada por ele em seus dados pessoais.

“O cadastro deve ser feito com muito cuidado, é como uma vitrine do serviço que será oferecido. Quanto mais caprichado, maior a chance de contratação”, observou Alexandre, ao comparar dois cadastros de churrasqueiros, uma com fotos e texto aprimorado, com outra que só tinha as informações obrigatórias. “Qual deles vocês contratariam?”, provocou o coordenador.

10 milhões de desempregados 

O Viva Oportunidade, aplicativo de cunho social criado em novembro de 2015, em Macaé, a noroeste do Estado, é uma ferramenta fundamental em um país com 10 milhões de desempregados, onde 2,5 milhões trabalham por conta própria, segundo dados do IBGE.

“É como montar uma concorrência, ganha quem oferece o melhor preço e serviço”. Associar a ferramenta ao uso da tecnologia portátil significa uma mudança de paradigma: ao invés de correr atrás do profissional de pequenos serviços – como pedreiro, pintor, manicure ou contador, entre outros – pelo lento boca a boca, a lógica se inverte: a plataforma traz ao cliente uma enorme gama de profissionais.

A próxima etapa já iniciada em Macaé, direcionada aos clientes, vai começar em breve no Rio, com uma maior divulgação da ferramenta na mídia e nas redes sociais.

(Texto: celina Côrtes|Fotos: Amaury Alves)

 

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