Vinte anos sem Herbert de Souza, o Betinho

O Viva Rio teve início com um telefonema do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, para o antropólogo Rubem César Fernandes. Betinho já carregava então um longo histórico de defesa de liberdade, cidadania e justiça social. Avesso a todo tipo de tirania, deixou o Brasil perseguido pela ditadura em 1971 e passou por Chile, Canadá e México antes de voltar ao país no fim da década.

Betinho e Rubem Cesar na Campanha contra a Fome de 1995 (Foto: Marcia Foletto)

Betinho mobilizou milhões de pessoas por diversas causas, da reforma agrária ao combate à fome. Da amizade de longa data entre ele e Rubem nasceu, em 1993, o Viva Rio. Os dois decidiram criar o movimento como uma resposta à crise moral e de segurança do Rio, aprofundada pelas chacinas da Candelária e de Vigário Geral. Quatro anos depois, em 1997, Herbert de Souza não resistiu às complicações causadas pelo vírus HIV contraído em uma transfusão de sangue e nos deixou.

Nesses tempos difíceis, o nome de Betinho ressoa como um símbolo duradouro de solidariedade, abnegação e esperança. O “irmão do Henfil” era uma figura quase mítica, cuja mera menção faz brilhar os olhos de quem esteve tanto tempo ao seu lado, como o diretor do Viva Rio, Rubem Cesar Fernandes:

“O Betinho faz falta. Ele tinha uma combinação rara de personalidade, uma espécie de indignação generosa. Era brincalhão, mas com uma capacidade de se mobilizar que falta hoje à sociedade. Era uma pessoa provocadora e ousada. Fazíamos nossas reuniões bebendo cerveja, tinha sempre uma na geladeira. Era alegre e ao mesmo tempo insatisfeito. Revoltado com o mal feito. Personagem que fazia o bem, especial e sedutor. Mesmo antes de ir já se cantava sobre ele, com o Bêbado e o Equilibrista.”

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