Saúde pede fim aos manicômios

“Se penso, logo existo. Mas como existir se as prisões do mundo estão aqui?” Com esses versos, declamados para ilustrar a vida no manicômio, o enfermeiro Sebastião Carlos, do Consultório na Rua de Acari, abriu o encontro em comemoração ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, que ocorreu nesta quarta-feira (18), no Parque Madureira.

Sebastião Carlos mostrou na performance a angústia no manicômio| Foto: Paulo Barros

O evento foi organizado por profissionais Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Paulo da Portela, gerido pelo Viva Rio em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Também atuaram na organização das atividades o CAPS Linda Batista e CAPS Rubens Correa.

Cláudia de Paula afirma que o dia 18 de maio é um marco na Luta Antimanicomial.

Cláudia de Paula afirma que 18 de maio é um marco na Luta Antimanicomial. | Foto: Paulo Barros

Cláudia de Paula, diretora do CAPS Paulo da Portela, considera o 18 de maio um dia fundamental para a reforma psiquiátrica. A data, segundo ela, marca as conquistas em termos de serviços substutivos aos antigos hospitais psiquiátricos. “O manicômio tira as pessoas do território. Nós trabalhamos dentro dos contextos sociais de cada paciente”, acrescenta. Claudia acredita que é preciso sempre repensar as atividades oferecidas nas unidades de saúde para que práticas de segregação não ocorram.

O Saúde Carioca (equipe de educação em saúde) e a Rede de Adolescentes Promotores da Saúde participaram da festa cantando juntos músicas, recitando poesias e dando depoimentos de vida, após um grande café da manhã comunitário.

Walter Souza está feliz pelo apoio da família em seu tratamento | Foto: Paulo Barros

Walter Souza, de 38 anos, paciente do Centro Municipal de Saúde Alberto Borgerth há um ano, afirmou ter sido fundamental a reforma psiquiátrica para sua vida. “Antes eu ficava isolado na internação, tomava remédio e me sentia carente. Agora me trato com a minha família por perto, o que me ajuda bastante e me deixa equilibrado”, conta.

Outra paciente que marcou presença foi Renata Alves. Há onze anos, Renata está em tratamento no CAPS Linda Batista, de Guadalupe. Ela afirmou que graças às atividades lúdicas oferecidas na unidade, principalmente as oficinas de arte, ela está feliz e vive muito melhor.

Participantes da caminhada pedem “Manicômio, nunca mais!”| Foto: Paulo Barros

Em clima de alegria, os participantes caminharam ao som de surdos e tamborins do Parque Madureira até o CAPS Paulo da Portela, exibindo cartazes com os dizeres “Manicômio nunca mais!”. O evento em Madureira faz parte da Agenda da Loucura- Intervenções do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, que promove eventos culturais no Rio de Janeiro até o dia 22 de maio.

(Texto: Deborah Athila | Foto: Paulo Barros)

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