Saúde na Linha reduz mortalidade materna e empodera gestantes

Em um call center composto só por mulheres, para estreitar ainda mais o laço das pacientes com as operadoras em cada ligação, o monitoramento quinzenal ou semanal do Saúde no Linha vai muito além de instruções de saúde. O projeto pioneiro do Viva Rio ajudou a diminuir pela metade os óbitos de grávidas em gestação de risco na Zona Norte do Rio de Janeiro.

“Nós criamos uma relação muito forte com as gestantes. Elas dividem as dúvidas e, muitas vezes, os medos. Encontram na gente a atenção que às vezes não encontram em casa. Confiam em nós como profissionais de saúde e se sentem muito agradecidas por insistirmos com elas. Isso torna o nosso laço tão próximo quanto alguém da família mesmo”, conta Jéssica Oliveira, operadora do call center.

Equipe reunida no call center

No Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, comemorado nesta segunda (28),  o Saúde na Linha merece destaque. Fruto da parceria do Viva Rio com a Prefeitura do Rio, o programa acompanha de forma personalizada grávidas que apresentam risco durante a gravidez. Desde a sua implementação, os óbitos maternos diminuíram de 14 para 7 (50%) na AP 3.1 e de 13 para 11 (15,3%) na AP 3.3. Com o sucesso, o projeto foi implantado em outras cidades: a histórica Paraty (RJ) e Muriaé, na Zona da Mata de Minas Gerais. Nesta última estão sendo elaborados o diagnóstico e as linhas prioritárias de ação no município.

Além de tornar o sistema de saúde mais eficaz, conseguir detectar complicações na hora certa e alertar a Clínica da Família ou Hospital mais próximo sobre a condição daquela grávida, a assistência ultrapassa os limites da patologia: o empoderamento feminino também se tornou uma das bandeiras do programa.

“Potencializar o conhecimento das gestantes é torná-las mais empoderadas. Informar os direitos de cada mulher desde o pré-natal, durante o parto e após o nascimento do bebê também faz parte do nosso dia-a-dia”, afirma Luciana Rossetti, supervisora do call center do Viva Rio.

Supervisora do projeto, Luciana também está grávida

Ainda segundo Luciana, a rede foi criada para ajudar as grávidas e foge de padrões. O olhar diferenciado como ferramenta de apoio é fundamental para quebrar qualquer tipo de resistência das gestantes com o pré-natal e garantir a assiduidade nas consultas. Antes do projeto, havia grávidas que só tinham ido a uma consulta no pré-natal. Hoje, elas vão no mínimo a sete consultas.

“Fui acompanhada durante a minha gestação inteira. A Amanda falava comigo, tirava minhas dúvidas. Eu sempre tinha algo a perguntar. Ela tinha paciência com as minhas queixas sobre o pré-natal e sempre me dava alguma informação. A gente se falava de 15 em 15 dias e, mais próximo do parto, toda semana. Eu tive pressão alta e a minha idade também não ajudava muito. Foi muito importante pra mim o Saúde na Linha”, conta Gleyce Cristine Teixeira.

O monitoramento pós-parto também é essencial, porque nesses dias o corpo da mulher está em recuperação da gravidez, com alterações físicas e psicológicas. “Nós achamos que depois que o bebê nasce nada pode acontecer, mal procuramos saber da mãe na realidade. E nesse período, onde as atenções são só para o bebê, a mãe pode estar passando por alguma complicação”, explica Luciana.

Cristiane, mãe que foi monitorada pelo Saúde na Linha desde o começo da gestação até o pós-parto, teve problemas nesse período e explica a importância da continuidade do acompanhamento: “Esse programa foi crucial para salvar minha vida. Tive complicações sérias depois do meu parto. Foi falando com o Saúde na Linha que eu identifiquei e criei forças para voltar ao hospital. Por falta de instrução a gente tem medo e muitas vezes não sabe o que fazer. Cinco dias depois do parto eu precisei voltar para o hospital e só retornei porque a atendente me passou segurança e disse que uma equipe estaria me esperando lá”.

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