Referência em pediatria, UPA da Ilha completa dois anos

As paredes coloridas em tons claros e enfeitadas com temas lúdicos avisam que ali a atenção é voltada para os pequenos. A UPA Pediátrica da Ilha do Governador, pioneira no modelo de atendimento centrado em crianças e adolescentes até 14 anos, completou dois anos nesta sexta-feira (4). Até março deste ano 111.192 pacientes haviam sido atendidos, gerando uma média mensal de 4.834 acolhimentos. 

Coordenadora responsável pela unidade, Patrícia Haddad é pediatra há 24 anos e desde 2008 atua na UPA da Ilha. “Procuramos dar o nosso melhor para essas crianças e mães, que muitas vezes chegam desesperadas, cansadas. O papel do pediatra também passa por acolher os familiares da criança. Nosso objetivo é sempre prestar um atendimento digno, humanizado, com carinho, respeito e paciência. Eu tenho muito amor por essa unidade”, declara.

Patrícia e Débora trabalham na UPA

Antes de se tornar uma referência em pediatria, a UPA da Ilha tinha o perfil misto e recebia todos os tipos de casos de baixa e média complexidade da região. Segundo a gerente administrativa da unidade, Débora Seles, a mudança veio em maio de 2016 e foi recebida, a princípio, com preocupação pelos funcionários. “Ficamos receosos pela aceitação da população que já estava acostumada com a UPA. A Ilha é muito grande, é um bairro com características de cidade”, afirmou. Ela mora há 34 anos no bairro e há oito anos trabalha na UPA. 

O receio se desfez já no período de transição com a ampla mobilização de agentes de saúde e líderes comunitários, que ficaram em contato direto com a população e espalharam a novidade. A instalação passou por reformas para tornar o ambiente mais acolhedor para as crianças e até hoje mantém equipamentos e itens essenciais para o atendimento de adultos em caráter emergencial.

Sala de observação de pacientes

Na época da reinauguração, uma nova linha de ônibus vinda de Caxias e São João de Meriti passou a ter seu ponto final quase em frente à unidade. Isso fez com que o atendimento de pacientes da Baixada Fluminense aumentasse consideravelmente. “Tivemos uma boa resposta dos usuários. Se compararmos a demanda total de antes da mudança de perfil e de agora, os números são muito parecidos. Já o atendimento específico de crianças quase dobrou”, explica Débora.

Elisângela Amorim é assistente social da UPA há dois anos. Ela cuida de casos de suspeitas de abusos sexuais, negligência e maus tratos de crianças, campo delicado e que exige dedicação constante dos profissionais envolvidos. “Tentamos trabalhar de uma maneira que não seja invasiva, mas não deixamos de dar a devida atenção e fazer as notificações oficiais ao Ministério da Saúde e Conselho Tutelar. Fazemos tudo que é possível fazer por aqui”, afirma.

Paciente é atendida em um dos consultórios

A UPA conta com sete pediatras, odontopediatra, espaço para exames laboratoriais e radiológicos e salas de observação classificadas de acordo com a gravidade do paciente.

“Essa UPA sempre foi boa e agora que é só pra crianças está melhor ainda. Meu filho está sendo bem atendido, medicado e observado pela equipe”, elogia Gilberto Guimarães, pai de um menino de 12 anos que aguardava transferência para um hospital.

A filha de 3 anos de Marcele Maizeler foi diagnosticada com pneumonia. Depois de uma noite de peregrinação sem sucesso, ela foi informada que havia um lugar onde o atendimento seria certo. Marcele ficou impressionada com a rapidez. “Em menos de 15 minutos minha filha foi atendida e os exames ficaram prontos em 45 minutos”, disse.

A UPA Pediátrica da Ilha do Governador fica localizada no Parque Poeta Manuel Bandeira, s/n, ao lado da Estação das Barcas de Cocotá e funciona 24 horas por dia.

Fotos: Vitor Madeira/Viva Rio

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