Programa de monitoramento evita mortes de gestantes

Em apenas seis meses de implementação, o Programa de Monitoramento de Gestantes e Puérperas de Alto Risco da 3.1 (área que vai de Bonsucesso ao Jardim América, na Zona Norte do Rio), parceria entre a CAP (Coordenadoria Geral de Atenção Primária/de Área Programática/Secretaria Municipal de Saúde) 3.1  e o Viva Rio, fez com que a incidência de mortes maternas tenha caído a zero. No primeiro semestre de 2015, a média era de 1,4% óbitos maternos/mês.

Os bons resultados atraíram o interesse da CAP 2.1 (da Glória a São Conrado, na Zona Sul), onde o Programa passou a atender também os bebês de risco. Em apenas dois meses, a iniciativa evitou a morte de uma criança que tinha dificuldade de se alimentar e dificilmente teria sobrevivido até a consulta marcada para o final do mês.

Só no monitoramento de um universo de 500 gestantes da 3.1, foram realizadas 8 mil ligações telefônicas e disparados cerca de 1.700 alertas em seis meses.

Na realidade, tudo começou a partir do serviço de call center da área de Saúde desenvolvido pela Ouvidoria do Viva Rio, que chamou a atenção do coordenador da CAP 3.1, Leonardo Graever. Foi ele quem propôs a construção de um programa de monitoramento de gestantes de risco, por conta da alta incidência de mortes dessas mulheres na região.

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As ligações são feitas por mulheres para deixar as gestantes à vontade| Foto: Paulo Barros

O programa consiste em fazer ligações periódicas para este grupo considerado de risco, baseado no perfil epidemiológico de cada área, o que se tornou um dos maiores diferenciais do projeto. As doenças hipertensivas graves, o HIV, a diabetes gestacional, a história pregressa de aborto, entre outras, são classificadas como fatores de alto risco, acrescenta Raphael Barreto, enfermeiro responsável técnico pelo programa.

Uma equipe multidisciplinar de seis pessoas, entre operadoras de marketing e auxiliares administrativos – profissionais com experiência na área de saúde – faz ligações quinzenais às gestantes de alto risco até a 31ª semana e daí em diante os contatos passam a ser semanais. As questões foram formuladas a partir de discussões com médicos e obstetras, buscando identificar falhas no cuidado pré-natal. Ao se detectar algum problema, é enviado um e-mail ao médico e ao enfermeiro responsáveis pelo atendimento à gestante na unidade de Atenção Primária.

“Trata-se de uma ferramenta de apoio e vigilância ao cuidado pré-natal”, define o coordenador da Ouvidoria do Viva Rio, Maurício Castro, que destaca a atenção delicada e personalizada dedicada ao público alvo do projeto. Os bons resultados atraíram também a atenção da coordenadora do CAP 2.1, Paula Travassos, que propôs a extensão do programa, iniciado em novembro, aos bebês de risco de aproximadamente 120 gestantes. “Logo na primeira semana identificamos um bebê de uma semana com dificuldade de mamar, que estava perdendo peso. A partir do alerta enviado pela equipe, a consulta foi antecipada e a vida da criança, salva”, conta Raphael.

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Maurício Castro e Raphael Barreto são responsáveis pelo Programa| Foto: Tamiris Barcellos

Um novo projeto já começa a ser gestado na área 3.3 (de Acari a Vista Alegre, na Zona Norte), e já será implementado neste mês de janeiro. Outro cuidado especial das equipes é orientar as grávidas a buscar atendimento em caso de manchas vermelhas na pele, os primeiros sintomas da Zica, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que pode causar microcefalia aos bebês.

(Texto: Celina Côrtes|Fotos: Paulo Barros e Tamiris Barcellos)

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