Pérolas Negras mostram garra contra o Juventus

Apesar do resultado adverso na estreia deste domingo (03), de 2 X 1 na partida contra o Juventus na Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copinha, os Pérolas Negras, do Haiti, a única equipe estrangeira da competição, mostraram disposição para conquistar posição de destaque na disputa pelo título.

O Estádio Conde Rodolfo Crespi, no bairro da Mooca, em São Paulo, com capacidade para 3 mil torcedores, estava lotado. Embora fosse a sede do time paulista, os haitianos também receberam a aclamação do público.

Com uma média de 18 anos, os 23 componentes da equipe sub-20 mostrou garra na partida inicial. Começaram tensos, tomaram um gol no primeiro tempo e só reagiram após o intervalo. O gol dos Pérolas, de penalti, foi marcado por Bebeto Muraille, camisa 5 do time haitiano, batizado pelo pai em homenagem ao jogador homônimo, tricampeão de 1994. Os jovens atletas haitianos exibiram sobretudo força física e velocidade.

Jogo 2

Bebeto Muraille, camisa 5, autor do gol de penalti dos Pérolas Negras | Foto: Vitor Madeira

O técnico Rafael Novaes continua confiante: “Eles começaram tímidos e jogaram bem no segundo tempo. Se empenharam, estão muito motivados”, avaliou. Os atletas estão provisoriamente instalados em um Centro de Treinamento (CT) emprestado ao Viva Rio na Via Anhanguera (ligação da capital paulista com Campinas), instituição que banca a agremiação em ação social para dar a oportunidades aos jovens haitianos.

Rafael Novaes

O técnico brasileiro Rafael Novaes aposta na garra dos Pérolas | Foto: Vitor Madeira

O time amador existe desde 2009 e fica sediado no bairro Bom Repos, na periferia da capital haitiana, Porto Príncipe. O projeto foi criado pelo Viva Rio em 2011, após o terremoto que devastou o país. Com isto, o CT dos Pérolas ganhou uma estrutura capaz de hospedar 96 pessoas, que conta ainda com campos, vestiários, refeitório e piscina. Os atletas também recebem  aulas de idiomas e de história, entre outras disciplinas.

time no jogo

O time haitiano em campo para a partida inicial | Foto: Vitor Madeira

Fénelon Marckenson, 17 anos, o atleta de maior experiência da equipe (passou pelo Cruzeiro e hoje joga no Boa Vista, do Rio de Janeiro), sabe que a  competição pode mudar sua vida e a dos companheiros, cujo sonho é conquistar uma visibilidade que os leve a assinar futuros contratos com times brasileiros.

O primeiro e segundo colocados de cada grupo (os Pérolas estão no 28) avançam para a segunda etapa, disputada em partidas eliminatórias. A equipe de melhor campanha nas quatro fases seria o oitavo classificado. Daí em diante, ocorrem a seleção dos semifinalistas e finalistas.

(Texto: Celina Côrtes | Fotos: Vitor Madeira)

 

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