Oficina discute e combate violência contra a mulher

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“A misoginia e muitas das agressões são respostas ao fato da mulher não aceitar a condição de inferioridade, de subordinação. Quando reage, vira alvo da violência”, alertou Ludmilla Fontenele, professora da faculdade de Serviço Social, UFRJ, na oficina intersetorial sobre violência de gênero, realizada pelo Viva Rio, na quarta-feira (25), na Urca, Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher.

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A data, criada em 1981, em homenagem a três irmãs que foram brutalmente assassinadas pela ditadura na República Dominicana, foi escolhida para a realização do encontro “Violência de Gênero e seus determinantes sociais no processo saúde-doença”. Parceria do Viva Rio com a Coordenação de Área Programática, CAP 2.1, através do Grupo Articulador Regional de Violência, o evento encerra as atividades do projeto que desenvolve oficinas ao longo do ano para prevenção de violência e a garantia na qualidade do atendimento nas unidades de saúde que estão distribuídas na região da Área Programática 2.1 (AP 2.1).

As oficinas são realizadas desde 2014 e já envolveram cerca de 30 instituições que compõem a rede intersetorial de proteção social. “Essa interação entre as instituições é fundamental quando tratamos de situações de violência, pois sabemos que apenas um setor não dá conta de todas as demandas”, comentou a assistente social do Viva Rio Laís Araujo, coordenadora do projeto.

Para a assistente social Simone Pires, uma das participantes dos encontros, a formação do profissional na área da saúde ainda é deficiente no que se refere à questão da violência, e é isso que o projeto busca superar. “Através dos treinamentos, conseguimos ampliar o conhecimento desses profissionais que convivem com mulheres que estão nessa situação, para que eles se sintam apoiados ao conduzir esses casos”, afirmou Simone.

 

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O trabalho das Unidades de Saúde é possibilitar à mulher a oportunidade de falar sobre o que ela vive e ajudá-la a reprimir a violência. “Como profissionais, buscamos contribuir na organização dessas estratégias de superação. Nem sempre a mulher se sente segura para dominar esta realidade e a nossa função é ajudá-la”, afirmou Márcia Vieira, assistente social da Gerência do Programa de Saúde da Mulher, da Secretaria municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS).

Mesmo com a Lei Maria da Penha, o número de mulheres violentadas no Brasil ainda é alarmante. Do total de entrevistadas pela Pesquisa Nacional da Saúde (PNS) 2013, do IBGE, 3,1% sofreram violência de conhecidos, enquanto o percentual das que sofreram violência de desconhecidos foi de 2,7%.

(Texto: Vivian Guimarães/Fotos: Amaury Alves)

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