Mulheres unidas contra a violência de gênero

No Estado do Rio de Janeiro, uma mulher é agredida a cada 11 minutos, representando um total de mais de 49 mil vítimas de lesão corporal dolosa, segundo dados do Dossiê Mulher 2016. Para informar as mulheres sobre seus direitos dentro de um contexto de machismo e violência estrutural, o Programa de Prevenção à violência doméstica, do Viva Rio, coordenado pela Laís Araújo do Viva Rio, realizou hoje um encontro na Clínica da Família Zilda Arns, no Complexo do Alemão, como marco do Dia Internacional da Não Violência contra Mulher.

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A moradora Patrícia gostou de saber dos serviços oferecidos pela Defensoria | Foto: Paulo Barros

O evento reuniu 50 mulheres e contou com a presença da Defensoria Pública, representada por Arlanza Rebello, junto com moradoras da comunidade e profissionais da unidade de saúde. Foram mostrados vídeos sobre machismo, violência doméstica e empoderamento feminino, além de uma roda de conversa com o público presente.

“Minha mãe viveu nove anos com meu pai e teve nove filhos. Ela passou por muito sofrimento, mas conseguiu graças a Deus dar uma basta nessa situação. Hoje ela vive bem”, contou a moradora Patrícia Coelho.

Arlanza Rebello, do Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher (NUDEM),  atende há 15 anos mulheres em situação de violência e afirma ser importante mudar o caminho comum, que é o de tratar a violência contra a mulher apenas como caso de polícia. “Nesses casos, a violência física já ocorreu, além de muitas vezes na própria instituição as mulheres também sofrerem opressão. É preciso prevenir”. A defensora informou que todas as mulheres podem acessar a defensoria pública como forma de garantir seus direitos e proteção integralmente”.

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A coordenadora Laís Araújo participou da roda de conversa| Foto: Paulo Barros

Laís Araújo, coordenadora do programa de violência doméstica do Viva Rio, disse que o objetivo do evento é fomentar a discussão sobre violência para os usuários das unidades atendidas, aproximando eles da Clínicas da Família e profissionais dos seus territórios. A coordenadora pretende que os encontros sejam periódicos e que se estendam para o próximo ano. “A ideia é que as usuárias dos serviços de saúde votem os próximos temas a serem debatidos”, informou.

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O grupo de mulheres presentes mostrou união e interesse durante o encontro | Foto: Paulo Barros

A articuladora comunitária do Viva Rio no Complexo do Alemão, Lúcia Cabral, se uniu a Laís e aos agentes comunitários de saúde para organizar as atividades do dia. Lúcia achou o evento de hoje importante, porque percebeu a abertura e o interesse de diversas mulheres, que compartilharam suas histórias. “Apesar da Lei Maria da Penha e de cada vez mais informação circulando, o machismo ainda é muito forte”, lamentou Lúcia.

Foram distribuídos preservativos e panfletos contra a violência para as mulheres presentes. Depois, houve o sorteio de brindes para as pessoas presentes e no final, cada mulher ganhou uma mensagem de elevação da auto-estima e uma flor amarela.

(Texto:Deborah Athila| Fotos: Paulo Barros)

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