DOIS MINUTOS PELA PAZ

Em 17 de dezembro de 1993, ao fazer a cidade parar por dois minutos para pedir paz, o Viva Rio promovia seu primeiro grande ato público e se consolidava como um movimento social relevante e ativo no debate sobre o Rio de Janeiro. A população carioca vinha enfrentando um período de violência extrema, que tivera nas chacinas da Candelária e de Vigário Geral os seus dois grandes marcos. Foi em frente à Igreja da Candelária que, convocadas pelo Viva Rio, centenas de pessoas de diversas origens se juntaram para mostrar união, refletir sobre a cidade e cobrar justiça.

A crise de violência no Rio foi o estopim que levou líderes das favelas e dos sindicatos de trabalhadores, da mídia e da publicidade, da cultura e dos esportes, de diferentes igrejas e do setor privado a se unirem em torno de um movimento. O Viva Rio nasceu numa época em que, ainda na esteira do fim da ditadura, movimentos civis floresciam. Cresceu rapidamente pela visibilidade dos fundadores e principalmente pela capacidade de ouvir e dar voz a opiniões diferentes. Com um time diverso, dinâmico e receptivo, sempre trabalhou por uma sociedade mais justa e inclusiva.

Já em seus primeiros passos o Viva Rio tomou uma direção própria, um caminho que moldou sua identidade e até hoje norteia sua atuação. Optou pelo trabalho no interior das comunidades mais vulneráveis, aquelas que são expostas à pobreza e muitas vezes aos poderes paralelos e à violência armada. Trabalhar em áreas e situações difíceis foi uma escolha do Viva Rio desde os nossos primeiros projetos, como o Balcão de Direitos, que montamos em 10 favelas da cidade para ajudar os moradores em serviços jurídicos e conversar com eles sobre os seus direitos.

Temos orgulho da maneira como nascemos e gostamos de relembrá-la. Com nenhum recurso, conseguimos convocar gente de todos os cantos da cidade para, em uma sexta-feira chuvosa, se vestir de branco e ir à rua em reação à crise de violência no Rio. Quase um quarto de século depois, o Viva Rio continua a se inspirar naquele ato na Candelária – tanto para amplificar as vozes de pessoas que exigem o direito de viver em paz quanto para ser uma voz consciente da sociedade civil no debate sobre temas desafiadores.

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