‘Cuidando de quem cuida’ é tema do Global Summit

Os profissionais de saúde que atuam em áreas violentas também precisam de cuidados. Foi este o trabalho que Daiana Albino, coordenadora do projeto Cuidando de quem cuida, do Viva Rio, apresentou nesta quinta-feira (25), no The Global Summit,  fórum internacional realizado no Museu de Ciências da Terra, na Urca, na zona Sul.

Daiana participou do grupo de 15 pessoas que discutiu Saúde integral, uma ampla abordagem dos mais variados aspectos da saúde, que busca o empoderamento da humanidade através da transparência, assim como as demais mesas redondas do evento, em sua quinta edição.

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Daiana Albino participou do grupo de 15 pessoas que discutiu Saúde Integral|Foto: Amaury Alves

Com gigantescos mapas geológico e de geodiversidade brasileiras do museu como pano de fundo, o grupo começou o encontro com meditação. Segunda a falar, Daiana, formada em enfermagem, explicou que o Viva Rio foi fundado em 1993, como fruto da indignação contra a violência. Uma parceria feita com as secretarias de saúde municipal e estadual, em 2009, passou a centralizar a ação da instituição em Saúde.  “A parceria permitiu que a cobertura em Saúde da Família passasse de 3% para quase 50%”, contabilizou.

Depois de assumir a articulação comunitária, em 2015, Daiana percebeu a importância de criar uma política institucional do cuidar. “Mais de 60% dos profissionais atuam em comunidades muito violentas, menos favorecidas pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), e adoecem muito”, explicou.

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Daiana: os profissionais que atuam em áreas violentas adoecem muito|Fotos: Amaury Alves

Com isso, foram criados espaços de reflexão sobre o sofrimento, porque são pessoas que vivem em ambientes de guerra. “A proposta foi desenvolver ambientes saudáveis de trabalho, que incluíssem a educação emocional, meditação e suporte”, citando exemplos de profissionais do Complexo do Alemão obrigados a dormir nas unidades por causa dos tiroteios. “Uma das ferramentas mais simples é escutar as pessoas, o estar juntos, mostrar que elas não estão sozinhas. É poderoso e transformador”, assegurou.

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Grupo escuta com atenção os depoimentos dos participantes| Foto: Amaury Alves

A proposta é usar a saúde integral de forma coletiva, trazendo a comunidade para perto.  Daiana citou outro exemplo recente que aconteceu no Complexo da Maré, quando os profissionais chegaram a cogitar abandonar o lugar em função dos sucessivos tiroteios.  “Um líder comunitário convocou uma reunião e pediu para que todos continuassem o trabalho. Mostrou o quanto eles eram importantes para a Maré. Acabou que os profissionais decidiram ficar, foi uma emoção incrível”, lembra.

“Não dá para falar de Saúde sem falar de quem cuida”, concluiu.

 

(Texto: Celina Côrtes|Fotos: Amaury Alves)

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