Comissão independente vai monitorar ações das Forças Armadas no Rio

O Viva Rio recebeu hoje a reunião de formação de uma comissão independente, com 17 membros da sociedade civil, que vai acompanhar as operações das Forças Armadas no Rio de Janeiro. A comissão é feita de pessoas que acreditam no futuro do Rio e que buscam, em um momento geral de negatividade e descrença, criar uma agenda propositiva para ajudar a revigorar a segurança pública do Estado.

Fazem parte da comissão executiva Cristian Nacht, empresário com experiência na Maré; Ilona Szabo, cientista política e diretora do Instituto Igarapé; Leandro Piquet Carneiro, cientista político e professor da USP e do CLP; Marcelo Trindade, advogado; e Rubem César Fernandes, antropólogo, Diretor do Viva Rio.

“A ideia é dar voz à expressão de uma sociedade mais ativa, com menos vaias ou aplausos e mais propostas”, disse Rubem Cesar. “Vamos dar instrumentos para críticas construtivas e  sugestões responsáveis que orientem o melhor caminho para as operações de segurança. Não dá mais para a gente ficar só assistindo, cabe a todos nós cobrar”.

O conselho consultivo é formado por Antônio Carlos Costa, pastor evangélico, Diretor do Rio de Paz; Don Luciano, bispo de Nova Iguaçu; Edmar Bacha, economista e membro da Academia Brasileira de Letras; Fernando Veloso, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro; Joaquim Falcão, advogado e diretor da Faculdade de Direito da FGV Rio; Letícia Piccoloto, cientista social e fundadora do Brazil Lab; Marcos Lisboa, economista  diretor-presidente do Insper; Pedro Strozenberg, pesquisador do Iser e ouvidor da Defensoria Pública; Roberto Medina, publicitário; Simon Schwartzman, sociólogo e membro titular da Academia Brasileira de Ciências; Cel. Ubiratan Ângelo, ex-comandante geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro.       

Monitoramento

Foi decidido na reunião que a comissão fará um trabalho de monitoramento quantitativo e qualitativo das operações militares, para medir seus impactos. A parte quantitativa será liderada pelo Instituto Igarapé, que vai organizar dados de ações específicas e avaliar resultados antes e depois de ações. A questão qualitativa será um esforço conjunto, que inclui ouvir os moradores dentro e fora das comunidades, polícias, autoridades e organizações da sociedade.

O Viva Rio usará para isso sua ampla rede de colaboradores e parceiros, que chega a mais de 90 comunidades do Estado, em grande parte áreas conflagradas, para se comunicar e avaliar a reação nos territórios. Além disso, treinamos nossos mais de 500 porteiros de unidades de saúde para ajudar em mediação e repassar à comissão angústias e percepções dos moradores a respeito das operações. Lideranças comunitárias, igrejas, organizações voluntárias e instituições serão fundamentais nessa ouvidoria.

Estrutura da polícia

Uma das principais questões levantadas durante o encontro foi a oportunidade de estimular uma reestruturação institucional das polícias. “A crise mobiliza a gente. Podemos usar esse momento da intervenção nacional para estudar as polícias e ajudar a organizar melhor essa estrutura”, disse o cientista político Leandro Piquet.

A comissão se reunirá mensalmente e pretende consolidar e divulgar posições a cada dois meses. O movimento foca no que está acontecendo agora, mas com metas para o futuro, sem prazo final. “As Forças Armadas podem fazer um bom trabalho, mas é preciso que seja uma exceção. É importante que nossas forças policiais aproveitem o momento para dar início a uma reestruturação, para que o envio das tropas nacionais não vire regra e sim deixe um legado”, disse Ilona Szabo.

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