Caminhada feminina alerta para crimes contra policiais

“Precisamos chamar a atenção para o aspecto humano do trabalho que os policiais realizam diariamente”, destaca Rosane Blanco, uma das fundadoras do movimento Mulheres Parceiras, que organizou uma caminhada da orla de Ipanema a Copacabana, na zona Sul, na manhã de domingo (31). Elas distribuíram rosas brancas para a sociedade e bombons aos policiais que estavam de plantão.

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O grupo distribuiu rosas brancas e cartões com um pequeno histórico das vítimas | Foto: Vitor Madeira

Casada com o ex-comandante da Polícia Militar, Alberto Pinheiro Neto, que esteve à frente da corporação de janeiro de 2015 a janeiro de 2016, Rosane explicou que a ideia de criar o movimento que reúne mulheres de policiais surgiu no início de 2015. Hoje, o grupo conta com mais de 90 participantes, entre elas, mães, esposas, viúvas e outras que se sensibilizam com a causa.

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Rosane Blanco é uma das fundadoras do movimento Mulheres Parceiras | Foto: Vitor Madeira

Desde o início no movimento, a auxiliar administrativa do setor de Segurança Humana do Viva Rio, Jaqueline Moreira, participa das mobilizações. Casada há 15 anos com o atual assessor de Segurança Humana do Viva Rio e ex-comandante da Polícia Militar, Íbis Pereira, ela fala dos resultados provocados pelas  ações do movimento. “No ano passado, arrecadamos 40 mil fraldas geriátricas para o Hospital da Polícia Militar. Com isso, conseguimos suprir as necessidades da unidade por cerca de quatro meses”, estima Jaqueline. O sucesso da ação inspirou o grupo a repetir a iniciativa este ano.

A caminhada lembrou os 63 policiais mortos este ano. Cada rosa distribuída, trazia um cartão com um pequeno histórico das vítimas. Entre elas, o soldado Alyson Leonardo Egídio Alves, de 27 anos, morto a tiros em uma tentativa de assalto, em outubro de 2015, na Baixada Fluminense. A mãe do policial, Lúcia da Silva, 45, participou da caminhada e se comoveu ao lembrar que o filho trabalhava por amor à profissão, empenhado em proteger a sociedade. “Esse movimento é para que outras mulheres não chorem como eu chorei. Eles trabalham e arriscam suas vidas para nos defender. Não podemos aceitar que estas mortes continuem aumentando”, desabafou.

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Lúcia da Silva: “Não podemos aceitar que estas mortes continuem aumentando” | Foto: Vitor Madeira

Lúcia contou que conheceu o movimento Mulheres Parceiras por Cristina Custódio, 36, viúva de Neandro Santos de Oliveira, outro policial que morreu brutalmente, torturado e queimado por bandidos no Complexo do Chapadão, zona Norte do Rio. Cristina estava grávida de três meses quando seu marido foi morto. “As integrantes do grupo me procuraram e me ajudaram a superar o momento mais difícil da minha vida. Hoje me dedico a ajudar outras mulheres que viveram esta situação”, esclarece.

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As Mulheres Parceiras ajudaram Cristina Custódio a enfrentar o momento mais difícil de sua vida | Foto: Vitor Madeira

As interessadas em colaborar com as ações e fazer parte do movimento Mulheres Parceiras podem entrar em contato através do facebook do grupo. “Queremos reunir todas as pessoas motivadas a mudar a atual realidade, que estejam dispostas a fazer a diferença e a nos ajudar a trazer mais confiança na aproximação entre a população e os policiais”, ressaltou a fundadora, Rosane Blanco.

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O grupo de mulheres caminhou da orla de Ipanema a Copacabana | Foto: Vitor Madeira

(Texto: Vívian Guimarães | Foto: Vitor Madeira)

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