ABI faz ato ecumênico contra a intolerância

Cerca de 450 pessoas participaram do ato “Liberdade religiosa, liberdade de expressão em solidariedade às vítimas  de intolerância no Brasil, na França e na Nigéria”, realizado no fim da tarde de quarta-feira 21, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), pela parceria entre a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap).

Líderes religiosos ecumênicos pediram a criação de um Plano Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e destacaram em carta: “a liberdade religiosa é um patrimônio social que precisa ser resguardado para que extremistas não cometam crimes em nome de Deus”. O babalaô Ivanir dos Santos, do  Ceap, acrescentou que “este é o momento de promover a ética e a discussão responsável do tema pela sociedade”. O evento também teve a participação do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro Brasileiros (Ipeafro).

O 21 de janeiro foi instituído em 2007 como Dia Nacional da Intolerância Religiosa em memória de Gildásia dos Santos, falecida há 15 anos, vítima de perseguição religiosa.

O locutor da Rádio Viva Rio, Robert Montinard, aproveitou a oportunidade para gravar entrevistas para o programa Domingo with God, sobre intolerância religiosa. O coronel Ubiratan Ângelo, coordenador de Segurança Humana do Viva Rio, também participou do encontro. Ele é coordenador de Infra-estrutura e Segurança da Comissão e representa ainda a Loja Massônica do Rio de Janeiro.

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Robert Montnard entrevista Diane Kuperman, da Associação Religiosa Israelense

 

Ao abrir o evento, com participação de doze autoridades na mesa mista e plural, Ivanir dos Santos reforçou  a sua  relevância.  “Não foi fácil construir um ato com novos atores na cena. Hoje é um dia importante para convidar a sociedade a assumir a responsabilidade coletiva, nessa casa com histórico de luta pela liberdade de expressão.”

“Aqui no Brasil não temos grandes questões e conflitos como o resto do mundo”, comparou o presidente da Federação Israelita-RJ, Paulo Maltz.  Já a pastora Luz Marina observou: “Mulçumano e terrorista não são palavras correspondentes”. Para marcar os aspectos legais da liberdade religiosa e do direito à expressão, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Wadih Damus, frisou: “Integro uma entidade laica, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que pode assegurar o direito de quem professa uma religião ou religião alguma.”

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Waldih Damus falou em nome da OAB

O ecumenismo da mesa contou ainda com dois xeques, o sunita Mohamed Al Bukai e o xiita Rodrigo Jalloul, simbolizando a diversidade da religião mulçumana. Também participaram o pastor Marcos Amaral, da  Igreja Presbiteriana; o representante da Secretaria Estadual de Direitos Humanos, Cláudio Nascimento; Marilena  Matos, da Umbanda; o diácono Nelson Águia, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, além de Jesus Chediak, da ABI, do desembargador Siro Darlan e do músico Marquinhos de Oswaldo Cruz.

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Os xeques Rodrigo Jalloul e Mohamed Al Bukai

 

(Texto, Celina Côrtes/Fotos, Paulo Barros)

 

 

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