Atletas refugiados no Rio passam a ser brasileiros

Um novo horizonte começa a despontar para os atletas refugiados no Rio de Janeiro. A assinatura de um termo de compromisso nesta quinta-feira (01.09) entre o Viva Rio e a Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) passa a considerá-los brasileiros. “É um ovo de Colombo”, festejou o diretor executivo do Viva Rio, Rubem César Fernandes.

Mesa

Rubem César: “É um ovo de Colombo”, definiu a assinatura do termo| Foto: Amaury Alves

A iniciativa, alcançada a partir da advogada Luciana Lopes da Costa, responsável pelas questões jurídicas dos Pérolas Negras, time de futebol criado pelo Viva Rio em 2008 formado por haitianos, tem potência para contaminar o país. “É algo louvável, de caráter social e humanitário. Que as boas práticas se multipliquem e sejam adotadas por outras federações”, afirmou o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Guilherme Caputo Bastos, presente ao evento realizado na sede da Ferj, no Maracanã, zona Norte da cidade.

Fenelon e advogada

A advogada Luciana Lopes da Costa, ao lado de Fenelon Marckenson |Foto: Amaury Alves

ministro do Trabalho

O ministro do TST, Guilherme Caputo, ao lado de Rubens Lopes, da Ferj|Foto: Amaury Alves

Fenelon Marckenson, 18 anos, participante da mesa; Jean Louis Anel, 17 e Oracius Wilmond, 19, dos Pérolas Negras, eram só sorrisos durante a assinatura do termo. O documento garante igualdade de condições entre atletas refugiados e brasileiros. Antes, eles só poderiam se enquadrar nas cinco vagas destinadas a jogadores estrangeiros nos times nacionais.  “Quero agradecer pela oportunidade de poder jogar como brasileiro”, resumiu Fenelon, com a simplicidade que lhe é peculiar.

3 atletas

Fenelon, participante da mesa, Oracius e Anel: só sorrisos durante o evento | Foto: Amaury Alves

Rubens Lopes, presidente da Ferj, considerou o evento um “momento histórico”, pela iniciativa ainda pioneira no estado e no país. “É a adoção de mecanismos que vão permitir a inclusão social e o futuro mercado de trabalho para os refugiados”, completou.  “A expectativa é que ganhe uma projeção nacional. A Fifa já disse que se interessa por isso”, fez coro Rubem César Fernandes, que comparou a atual situação dos refugiados no mundo à da Guerra Fria dos anos 60 e 70: “Se essa ideia prospera pode virar um exemplo importante para o mundo”.

Primeiro a falar e a sair, por conta de um compromisso, o embaixador Sérgio Canaes, subsecretário-geral de Cooperação Internacional, Promoção Comercial e Temas Culturais do Itamaraty, parabenizou a iniciativa “pelo acolhimento aos refugiados”.

Sérgio Canaes

O embaixador Sérgio Canaes elogiou o acolhimento aos refugiados | Foto: Amaury Alves

O juiz do Trabalho, Ricardo Miguel, também participante da mesa, ressaltou que inclusão social é a expressão do momento, “e o esporte é o maior e melhor caminho para atingi-la”. Também entusiasmado com a iniciativa, o presidente do Tribunal Desportivo do Futebol do Rio, Marcelo Jucá, fez uma brincadeira: “espero não ver esses atletas no tribunal”. Com essa nova oportunidade, tanto os Pérolas Negras quanto os demais atletas refugiados dificilmente terão motivos para procurar esse tipo de assessoria jurídica.

(Texto: Celina Côrtes|Fotos: Amaury Alves)

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